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X Jornadas do Fórum do Campo Lacaniano
Rio de Janeiro (FCL – RJ)

OS DESTINOS DA ANGÚSTIA
01 e 02 de dezembro de 2023

Local: Sede do Fórum Rio (Rua Martins Ferreira, 12 – Botafogo)
Evento Presencial (VAGAS LIMITADAS) e on-line
Coordenação: Gloria Sadala, Maria Helena Martinho e Sonia Borges

As X Jornadas do Fórum do Campo Lacaniano do Rio de Janeiro colocam o tema da angústia em pauta, propondo discutir seu lugar conceitual na práxis psicanalítica e examinar sua presença como um afeto, articulando-a a conceitos da psicanálise, assim como a outros campos de saber.

Em nossa época, a dimensão psíquica da angústia apresenta evidências na clínica psicanalítica de sua ligação com conjunturas políticas, sociais, econômicas, sanitárias, culturais, ambientais e éticas. Todos os seres falantes a experimentam desde sempre, de modo singular, o que propicia destinos diversos para a angústia, em função das coordenadas constitutivas de cada sujeito do desejo.

A angústia é real. Trata-se de um sofrimento que invade o corpo do sujeito. O coração acelera… um nó na garganta… algo sufoca… as pernas tremem… Aturdido, o sujeito se desespera para obter um alívio para o seu sofrimento.

Mas, o que é a angústia? Como abordá-la através da talking cure? Que possibilidades e limites a psicanálise dispõe para o sujeito atravessado por tal afeto?

A história da humanidade está marcada pela angústia desde seus primórdios. Encontra-se presente no pensamento de muitos filósofos, sendo retratada na arte, por poetas, escritores, pintores e escultores.

Os ensinamentos de Kierkegaard, filósofo existencialista, contribuíram para a distinção na psicanálise entre a angústia neurótica a ser tratada numa análise – embora sem o caráter de disfunção – e a angústia como encontro do real, própria da existência humana. Uma elaboração sempre se faz necessária, visando os trilhos de seus destinos.

A angústia foi abordada como ponto central na clínica das neuroses, ao longo das formulações freudianas, articulada à sexualidade, a qual responde pela entrada do homem na cultura.

O ser desejante se constitui pela falta, ou seja, nas tentativas de encontrar objetos de prazer substitutos. Nesse circuito pulsional ininterrupto, várias vicissitudes são possíveis e Freud as apresenta em 1915, no texto “As pulsões e seus destinos”. Em nossas Jornadas deste ano, parafraseando-o, apresentamos como tema “Os destinos da angústia”.

Para Freud, a angústia é sempre angústia de castração, resultante do encontro com a ausência de objeto.

Lacan afirma que existe um único índice clínico que assegura a presença do objeto: a angústia. E, desse modo, reafirma sua conhecida fórmula: a angústia, “ela não é sem objeto” (Lacan, 1962-63/2008, p. 146). A angústia é o índice da relação do sujeito ao objeto. E, nesse ponto, retoma Freud em sua concepção da angústia como sinal. Trata-se de um sinal importante, uma vez que Lacan nos ensina que o objeto a não tem imagem nem significante. Sua presença é irrepresentável, embora haja manifestações clínicas perceptíveis através da angústia tanto do analisante quanto do analista.

No Seminário, livro 10: a angústia (1962-63), Lacan enuncia algumas fórmulas: a angústia é um afeto que não engana; a angústia não é sem objeto; a angústia aparece quando a falta vem a faltar. Lacan aponta a relação essencial da angústia com o desejo do Outro e, assim, concebe a angústia como signo do desejo.

A característica principal do mundo gerado a partir das redes de significantes é a possibilidade de nele enganar. Mas a angústia é um corte que deixa aparecer Unheimlich, o inesperado, a visita… Segundo Lacan, “Se há uma dimensão em que devemos buscar a verdadeira função, o verdadeiro peso, o sentido da manutenção da função da causa, é na direção da abertura da angústia” (Lacan, 1962-63/2005, p. 88).

Nos anos de 1970, Lacan posiciona o objeto a no coração do nó borromeano. E traduz a tríade freudiana Inibição, Sintoma e Angústia, referenciando-se em suas novas formulações. Situa a angústia como um transbordamento do real, angústia traumática da existência que irrompe no imaginário do corpo. O sintoma é abordado como um transbordamento do simbólico no real. E a inibição, um transbordamento do imaginário no simbólico.

O nó borromeano nos permite relacionar a angústia aos três registros, Real, Simbólico e Imaginário. Como pensá-la em articulação com o gozo do sentido, o gozo fálico e o gozo Outro? Que novas formulações podemos elaborar entre angústia e objeto, considerando-se a destituição subjetiva e o final de análise?

Aguardamos todos vocês, colegas psicanalistas, para avançarmos na construção do nosso saber psicanalítico, sempre em marcha, a partir de cada verdade que nossas angústias evidenciam!

Até breve!

Gloria Sadala, Maria Helena Martinho, Sonia Borges

Valores da Inscrição

Até 30/09: R$ 100,00
De 01/10 a 31/10: R$ 150,00
De 01/11 a 30/11: R$ 200,00
No dia das Jornadas: R$ 250,00

Dados para pagamento

Conta do Fórum Rio: Banco Itaú: 341, Agência: 8598, C/c: 06397-5
Em nome do Fórum do Campo Lacaniano Rio de Janeiro
CNPJ: 03.137.219.0001/25
Chave Pix: 21984634883

Inscrição de Trabalhos

Até o dia 01/10
Enviar o argumento do trabalho para o e-mail: secretariaforum@campolacanianorj.com.br
Anexar o comprovante de inscrição ao argumento.

O argumento deverá ser enviado em 2 páginas em arquivo word:
Página 1: Nome completo, e-mail e Fórum de pertencimento
Página 2: Título, Subtema em que o trabalho se encaixa (conforme os subtemas propostos) e o Argumento, com até 1.000 caracteres, com espaço.
Os argumentos aceitos receberão um e-mail até o dia 08 de outubro.
O trabalho completo deverá ser entregue até 29/10, com 6.000 caracteres, com espaço (sem contar o título, o nome do autor e as referências bibliográficas).

Subtemas

  1. Angústia, verdade e saber
  2. Unheimlich e o afeto que não engana
  3. Angústia como índice do objeto a
  4. As estruturas clínicas e a angústia
  5. A angústia do analisante e do analista
  6. Arte e angústia
  7. O nó borromeano e a angústia
  8. Final de análise e angústia
  9. A angústia na nossa época

Comissão Científica: Consuelo Pereira de Almeida, Elisabeth da Rocha Miranda, Gloria Sadala, José Maurício Loures, Maria Helena Martinho, Sheila Abramovitch, Sonia Borges.