XIX Jornada de FCCL-Rio / V Jornada do Fórum do Campo Lacaniano do Rio de Janeiro - 1 e 2 de dezembro de 2017

16 Oct 2017

" O REAL INFANTIL NA CLÍNICA PSICANALÍTICA"

 

Coord:Vera Pollo, Elisabeth da Rocha Miranda e Maria Vitória Bittencourt

 

Data: 01 e 02 de dezembro de 2017

 

Local:Pérola Búzios Hotel
Av. José Bento Ribeiro Dantas, n° 222 Centro
Armação dos Búzios / www.perolabuzios.com.br
Telefone: (22) 2620.8507

 

O real infantil na clínica psicanalítica
Com Freud, aprendemos a distinguir entre a neurose da infância e a neurose infantil. A primeira foi sobretudo Hans quem lhe ensinou. A fobia de animal é a neurose da infância por excelência, e podemos dizê-la “quase incondicionada”, se considerarmos sua grande frequência. Lembremos as palavras de Lacan em Televisão (1973): “A fobia do Pequeno Hans, mostrei que era isso, os caminhos tortuosos por onde ele conduzia Freud e seu pai, mas onde, desde então, os analistas têm medo.”
Quando Freud emprega o termo “neurose infantil” para falar de seus pacientes adultos é a forma que ele encontra para nos dizer que o sujeito não tem idade, porque o inconsciente é ético e não ôntico. Ele não se conjuga no presente do indicativo, tampouco no futuro simples e nem mesmo no pretérito perfeito. Jogando entre o pretérito imperfeito do verbo e o futuro anterior, Lacan o compara ao bichinho furão, cuja cabeça emerge repentinamente, para logo em seguida desaparecer. E assim sucessivamente.
Mas o que vem a ser o real, tal como Lacan o elabora ao longo de todo o seu ensino? Em que consiste o real infantil? Ao lado do simbólico e do imaginário, o real é antes de mais nada uma das dimensões da experiência analítica, porque é também uma das mansões em que habita a vida. É curioso constatarmos que Freud e Lacan empregam exatamente as mesmas palavras, o primeiro para descrever os fenômenos de inquietante estranheza, o segundo para definir o real. Para Freud (1919), das Unheimlich é o que afeta o sujeito na angústia relacionada com a perda dos olhos, nos fenômenos do duplo, na atividade mental animista, no medo da morte e do retorno dos mortos. Enfim, na compulsão à repetição sob a forma do “retorno involuntário da mesma situação.” E o que diz Lacan do real, até mesmo antes do recurso à topologia? “É o que retorna ao mesmo lugar”, declara ele em seu Seminário, livro 11 (1964).
Porém na última década de seu ensino, em seu trabalho com os nós, Lacan observa que os três registros do real, do simbólico e do imaginário, ao se recobrirem uns aos outros em mais de um ponto, tornam-se indistintos, o que significa dizer que se pode passar imperceptivelmente de um a outro. E a angústia que começa no real pode invadir o imaginário de um sujeito, assim como o sintoma pode vir a ser o que ele tem de mais real. E com que frequência escutamos: “é que isso alivia minha angústia!” Sim, pois o sintoma pode fazer as vezes de um quarto termo, quarto anel ou quarto elo que amarra o nó do sujeito, e separa os três registros do Real, do Simbólico e do Imaginário. E, ao fazê-lo, inscreve o “fala-a-ser” no laço social.
Unir os dois termos, como o fizemos em nosso título, propondo trabalharmos sobre o “real infantil”, remete-nos imediatamente ao trauma e à sua inevitabilidade para os seres de linguagem, que, embora não nasçam prontos para o sexo, nascem com os orifícios auriculares já abertos. “Os ouvidos são, no campo do inconsciente, os únicos orifícios que não se podem fechar” (Lacan, 1975). Embebido e embevecido pelo Outro de lalíngua, o pequeno se transforma em ser sonoro, ainda antes de gozar com o sentido. No intervalo, traumatiza-se, e sofre do peso do Outro tanto nos pesadelos da infância, como da idade adulta. O real infantil do trauma, da angústia e do sintoma, suas sequelas de inibição e suas manifestações do gozo orientarão nossos trabalhos, como orientam nossa clínica. 
Vera Pollo

Sugestão de sub-temas:

O trauma e seus efeitos
A neurose infantil e a neurose da infância
A fobia e sua relação com a fantasia
A criança-objeto do Outro no real
A perversão polimorfa e a estrutura perversa
As incidências do significante no corpo
Desamparo e angústia
Compulsão à repetição e adventos do real


Inscrições:
Até o dia 30 de novembro
R$ 260,00 - Profissionais
R$ 230,00 - Membros e Participantes de FCCL
R$ 160,00 – estudantes

NO LOCAL:
R$ 300,00 - profissionais
R$ 250,00 - Membros e Participantes de FCCL
R$180,00 - estudantes


Desistência c/ devolução de 80% do valor pago até 11/10/2017

FICHA DE INSCRIÇÃO:
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Formas de pagamento
Sede de FCCL-Rio ou depósito bancário em nome de:
Formações Clínicas do Campo Lacaniano-RJ
Banco Itaú Ag.: 8598 C/C: 06617-6
Enviar comprovante do depósito para a sede de FCCL-RJ
Rua Goethe 66 –Botafogo – E-mail: secretaria@fcclrio.org.br
Telefones: (21) 2537-1786-22869225

 

 

 

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"O termo Escola deve ser tomado no sentido em que queria dizer em certos lugares refúgio, ou bases de operação contra o que já se podia chamar de mal-estar na civilização."

 

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